Alimentação de cães: ração versus alimentação natural

Dúvida do ouvinte Keila Okubo:

“Olá, tenho dois cães sem raça definida: o Bonifácio de mais ou menos 5 anos, e o Nabuco de 3 anos. Gostaria de mudar de ração para alimentação natural. O Nabuco fica sempre enjoado pra comer, tem dias que nem come, mesmo comprando uma ração muito boa, e eu incentivando, ficando junto e tudo mais. Já li a respeito de alimentação caseira, e me pareceu ser melhor do que ração. Talvez ele coma mais e fique mais alegre e saudável, né? Tenho receio sobre o preço, se ficaria mais caro do que ração? E como devo fazer para mudar de um para o outro?”

– No passado, comiam resto da nossa comida, sobras do almoço, ou fazia-se “arroz parborizado com carne”, ossos comprados do açougue… No interior então…

– Atualmente, com o avanço dos estudos e do mercado… temos cada vez mais rações especiais, algumas específicas para certas raças, para diversos problemas de saúde (renal, hepática, castrados…). E ao mesmo tempo temos cada vez mais conhecimentos e adeptos da alimentação natural. E, claro, mais opções comerciais de AN, até pra simplificar a vida corrida… (eu, por exemplo!).

– Não tem certo e errado: é relativo! Depende muito do animal, do tutor, do estilo de vida, do local, etc. Filhote, adulto, idoso, doença, restrição alimentar, alergia… Ao mesmo tempo temos trabalhos científicos indicando as vantagens e desvantagens de ambos. O mais importante, porém, é a alimentação balanceada, de qualidade e com acompanhamento veterinário! Seja ração de qualidade ou algum tipo de alimentação natural (existem vários tipos!). Sou favorável a qualquer dieta, desde que balanceada e de alta qualidade! Então garantimos saúde, bem-estar e longevidade! Vemos animais com problemas em ambos!

– Nos dias de hoje, todos que têm pets, podem atestar que eles se interessam por tudo e qualquer coisa que a gente come! Pedindo na mesa, logo quer um pedaço da pizza de sexta feira, pãozinho de manhã… Quase querem sentar na mesa com a gente! Com isso nós os olhamos quase como “pequenas criancinhas peludas” (cientista americana Alexandra Horowitz, no livro “A Cabeça do Cachorro”). E, consequentemente, começamos a alimentá-los como se fossem pessoas, crianças… Mas nem sempre foi assim…

Com a domesticação, o ambiente que os cães e gatos vivem é muito diferente da floresta ou deserto, de segurança e comida farta, com que contavam durante o processo de domesticação, há milhares de anos.

Então eles foram se adaptando:

* Os cães desenvolveram recursos para digerir melhor o amido, que compõe a base da nossa dieta (humana) desde a conquista da agricultura.

* Os gatos se tornaram interessados em leite e peixe, alimentos que não fazem parte da alimentação natural de seus ancestrais, mas que nós humanos, adoramos.

É claro… os cães e gatos, adoram um pãozinho, frutas, e etc… Mas isso não quer dizer que isso não faz mal a eles! Os danos são cumulativos e de progressão consideravelmente mais lenta. Com isso, não percebemos a ligação entre a obesidade, a alergia ou a inflamação crônica do pet e o excesso de frutas e pães (que naturalmente contêm açúcar) que tantos de nós oferecemos diariamente aos peludos com a melhor das intenções.

Mas o que os cachorros e gatos devem comer?

Bom, os cães e gatos são carnívoros, predadores. Eles ingerem boa parte dos tecidos da presa como um todo – vísceras, tendões, ossos, cartilagem, até mesmo um pouco de pelos e penas (que atuam como fibras insolúveis), além de parte do conteúdo gastrintestinal (vegetais em processo de digestão) e obviamente também devoram a musculatura (carne) do animal. E complementam a dieta com insetos, ovos, frutas, sementes e gramíneas. É dessa forma que garantem uma dieta balanceada e completa, com todas as vitaminas, minerais, ácidos graxos e outros elementos fundamentais à sua saúde.

Alguns dos grandes receios relacionados à ração, porém, são relacionados a:

–  baixa quantidade de umidade (ração é seca!) e à algumas características das rações de baixa qualidade.

– Com adição de corantes,

– uso de transgênicos,

– que possuem mais carboidrato do que o necessário,

– e a fonte de proteínas (o mais importante) é de má qualidade.

Por isso: se escolher ração, que seja de qualidade e com recomendação veterinária 😉

E quem quer trocar, de ração para alimentação natural, e vice-versa? Introdução gradativa!

Sim, para que o cão não estranhe e rejeite a comida contendo o suplemento e também para evitar que ele passe mal por ingerir pela primeira vez uma grande concentração de minerais e vitaminas. Deste modo, o fabricante recomenda ir misturando gradativamente uma quantidade cada vez maior da AN ao alimento. Por exemplo, um quarto da dosagem diária durante a primeira semana, dois quartos da dosagem diária durante a segunda semana, três quartos da dosagem diária na terceira semana e a dosagem diária cheia somente a partir da quarta semana.

Custa mais caro?

os custos de uma AN completa, composta por alimentos variados, de ótima qualidade e procedência, em geral são inferiores aos de alimentar cães e gatos com rações Super Premium. Mas não é possível prever exatamente quanto  irá gastar. Essa resposta depende de inúmeros fatores, como:

– Local onde você mora,

– O tipo de alimento,

– Local onde os alimentos serão comprados,

– Quanto seu pet vai comer por dia,

– Quantos kg você pode comprar por vez.

Eu gasto menos com AN pronta, recebi em casa congelada, balanceada, do que com a ração super premium que comprava…

Uma questão de equilíbrio!

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