Como fazer seu cachorro mais feliz: estruturando o relacionamento

Ops, a imagem não está carregando :(

Quem não fica estressado quando espera um ônibus, sem saber quando ele vai chegar? Quem não se sente mal com a nossa impotência frente à episódios de maus tratos aos animais? Para os animais isso não é muito diferente… Para que o relacionamento entre os humanos e os animais seja harmonioso é muito importante que ele seja caracterizado pela previsibilidade, consistência e controle – sabemos que estes são fatores diretamente relacionados ao estresse negativo.

 

Como escrevi há alguns meses em um post, existem diversas maneiras, das mais simples e baratas até as mais engenhosas, de oferecermos um ambiente mais calmo e com maior controle aos animais. O momento da alimentação, por exemplo, é o momento perfeito para enriquecer a vida dos animais e já muito utilizado. Mas existem muitos outros momentos em que podemos rearranjar o manejo e o ambiente, oferecendo então mais oportunidades para nossos queridos animais terem mais comando sobre suas vidas!


Uma das leis do comportamento, descoberta por pesquisas científicas já há algumas décadas, e válida para qualquer espécie (inclusive para o animal homem) afirma que em uma situação, se o animal tiver duas opções de como agir, ele escolherá a opção que lhe oferece maior controle sobre o resultado: é o chamado contra-freeloading. Ou seja, o animal preferirá a opção em que precisa fazer algo para então alcançar a consequência desejada. Se eu tenho controle sobre o resultado da minha ação, eu sei que, no dia que precisar novamente daquele resultado, se eu fizer aquela ação, alcançarei o resultado desejado. Já se não existe nada que eu possa fazer para alcançar aquele resultado, ou seja, estou à mercê da ação de outras pessoas ou do ambiente (incontrolabilidade do sujeito), no dia em que eu precisar daquele resultado, não haverá nada que eu possa fazer para alcançar o resultado desejado! A falta de controle é um fator extremamente importante para o estresse, para a supressão comportamental, frustração, a ansiedade, a tão conhecida depressão, etc.

 

 

E o que podemos fazer para aumentar a previsibilidade, controle e consistência na vida  dos nossos queridos animais? 

 

Muitas coisas! Muitas mesmo, por isso não conseguirei incluir todas elas nesse post rs.

 

A seguir recomendarei algumas formas de agir com seu animal para que seja enriquecido o relacionamento e a comunicação entre o tutor e o cachorro. É importante ressaltar neste momento que o tutor terá o papel de guia do cachorro, fornecendo orientação ao animal durante todas as interações e recompensando apenas e sempre os comportamentos calmos e desejáveis. O tutor é responsável pelo aprendizado e crescimento emocional do animal: se ele fizer algo errado, não o culpe ou puna: use esta situação como oportunidade para repensar suas ações e compromisso com o cachorro.

 

Em geral, o objetivo destas medidas é estreitar o laço emocional e estruturar o relacionamento, através da adição de controle, consistência e previsibilidade para o dia-a-dia do cachorro. Através destas recomendações você, tutor, irá praticar, em situações com poucas distrações, a capacidade do animal responder aos seus pedidos, tornando mais provável que ele consiga focar a atenção em você quando distrações estiverem presentes, como um passeio na rua, uma visita ao shopping ou quando um amigo novo vier em sua casa. Lembre-se: você é responsável pelo aprendizado do animal e precisará sempre planejar o melhor modo de iniciar e finalizar o exercício, favorecendo o acerto!

 

Além disso deve ficar claro que estas recomendações devem servir como fundamento para todas as interações com os cachorros do lar. No início, sim, serão instaladas através de treinos curtos, de 5, 10 minutos no máximo (sempre terminando de modo alegre e prazeroso para o cão). Mas este não é, portanto, um treino especial e temporário: é uma nova e indispensável forma de lidar com seu animal, que deverá ser mantida a longo prazo. Por conseguinte, as recomendações deverão ser seguidas por todos os membros da família e para todos os cachorros do lar.

 

 

Ok, já entendi a teoria! Mas e na prática, o que devo fazer?

 

Bom, a ideia geral deste plano é muito simples: sempre que o tutor interagir com o cachorro, ele deverá primeiramente pedir ao animal que obedeça um pedido. Estabeleceremos regras claras para o cão automaticamente sentar para todos os recursos. Muitos se referem a este treino/relacionamento pela frase: “na vida nada é de graça” ou “aprender a merecer”. A versão original, estabelecida pelos economistas norte americanos (que, pra variar, têm até uma sigla para isso) é: “TANSTAAFL – There ain’t no such thing as a free lunch”. Ou seja, para que o cachorro consiga sua atenção, ele deverá antes responder adequadamente ao seu pedido, conquistar o prêmio. Gosto de falar que é como que o animal pedindo “por favor”, e gosto de pensar que é realmente isso que ele está fazendo (a boa e velha diplomacia canina).

 

E não, antes que perguntem, não tem nada a ver com mostrar quem manda, deixar claro quem domina quem, a má e velha dominância. Sim, estabeleceremos regras de conduta, o que é muito bom para o animal (e pra qualquer ser vivo) pois acrescenta previsibilidade ao cotidiano, logo menos estresse negativo. Constructos como “dominância”, porém, não explicam o comportamento nem sua causa pois não descrevem o comportamento (sendo mais correta, as respostas) do animal, nos dão a idéia de que estão explicando o comportamento enquanto o que fazem é apenas rotulá-lo e acabam nos encaminhando ao uso de técnicas de confronto, coercitivas e ineficientes. Com certeza isso é tema para vários outros posts, aguardem em breve!

Antes de iniciar o exercício e durante toda a interação com o animal é importante que os humanos envolvidos se mantenham calmos, pacientes e em controle da situação, sabendo o que fazer. Ressalto que os exercícios não querem forçar o cão a obedecer, é simplesmente um pedido que, se respondido da maneira desejada, dará direito à uma recompensa. Quantos exemplos disso temos em nosso dia-a-dia? E não, você não precisará gritar, falar em tom firme, com olhos abertos e fixos. Os pedidos deverão ser falados sempre com uma voz calma e suave, normal, e não deverão ser repetidos diversas vezes – diga apenas uma vez cada pedido para não enfraquecer o termo utilizado.

 

Também é impresncindível propiciar ao animal a chance de responder com calma e sem ansiedade. Ou seja: como já escrevi não repita o pedido, não se afobe tentando dar dicas, não grite, não faça cara ou postura de bravo, não fique balançando os braços ou apontando para algo, etc. Simplesmente fale o pedido ou faça o movimento do pedido. Use palavras que o cão conheça, como “senta”, “olha”, “fica”, etc… Caso o animal apenas conheça um exercício, utilize apenas esse (você não quer ensinar mil pedidos e exercícios, um simples “senta” é maravilhoso). Caso o animal tenha um amplo repertório comportamental, porém, o tutor poderá diversificar mais os palavras.

 

A não ‘obediência’ não é recompensada, é pura e simplesmente ignorada. Caso o animal não responda conforme desejado ele será simplesmente ignorado, não ganhará o reforço positivo (um petisco bem gostoso, um super carinho, uma brincadeira que ele adora, um passeio, acesso à algo que ele goste, etc – lembrando que um reforçador é algo individual). Neste caso, porém, do animal não responder como queríamos, o tutor poderá, após alguns poucos segundos, fazer outro pedido. Assim que o cão aprende esse novo sistema, ele é geralmente muito complacente e feliz – vai criando cadeias de comportamento e aumentando sua capacidade comunicativa com os humanos (que eu, particularmente, gosto de chamar de cúmulo da liberdade – meu lado idealista romântico rs).

 

O tutor não deve recompensar o animal aleatoriamente, sem ele ter efetuado alguma tarefa: recompensas devem ser merecidas! Além disso o tutor deve estabelecer muito claramente um critério para o reforço (vou recompensar quando ele sentar: se ele deitar ou latir ou virar de lado não vou recompensar) e deve ser consistente, ou seja, reforçar sempre que o comportamento ocorrer (se queremos fluidez, precisamos recompensar todas as respostas certas). Como atenção, carinho, brincadeira também são (além dos petiscos) recompensas para o cão, elas devem ocorrer apenas após algum pedido do tutor – um simples “senta” animado antes do carinho, já cumpre isso.

 

 

Em resumo, segue abaixo quatro possíveis respostas que o cão pode apresentar e a reação recomendada para essas respostas:

Resposta do cão após o pedido

Ação do tutor

Dicas para evitar erros comuns

O cão responde imediatamente ao pedido. Forneça imediatamente uma recompensa ao cão. A recompensa pode ser uma super atenção, uma comida muito gostosa, muito carinho, acesso à uma área nova, etc. Algumas pessoas recompensam não obediência, não faça isso. Apenas dê a recompensa caso o animal obedeça ao seu pedido.
O cão não responde ao seu pedido (não faz o que você pediu). Não dê recompensa e termine a sua interação com o cão (por exemplo: olhe para “longe”, saia do local, ignore-o, etc). Não repita o pedido diversas vezes. Não manipule fisicamente o animal tentando que ele execute o pedido. Não puna o animal por não ter respondido de acordo com o pedido.
O cão antecipa o pedido e o faz antes do seu pedido. Peça outro pedido ao cão antes de recompensá-lo. Não recompense a ação se você não deu o pedido, esses exercícios têm como objetivo aumentar o foco do animal no tutor e encorajar o cão a olhar para os tutores em busca de orientação.
O cão apresenta comportamento agressivo durante o pedido de pedido ou durante a entrega da recompensa. Agressão sempre deve resultar não receber a recompensa. Imediatamente vire-se de costas para o cão e saia do local por 1 ou 2 minutos. Esse isolamento social dá ao cão a oportunidade de se acalmar. Não puna o animal através de qualquer interação (não fale, grite – muito menos chute ou bata). Cães agressivos estão excitados ou com medo, e tentativas de correção através de interação o farão escalar a agressividade – pura defesa. Se o cão tem histórico de agressividade, tentar leva-lo para outro local para ficar de castigo pode ser perigoso, portanto apenas deixe-o sozinho aonde o incidente ocorreu e se isso ocorrer frequentemente procure por ajuda profissional.

 

Então como devo atenção ao cachorro?

Comportamentos de busca de atenção, como pedir com a pata, latir e pular devem ser ignorados – não devem resultar em atenção, carinho, petisco… Atenção não deve ser dada devido à demanda do animal, mas sim por resposta adequada ao pedido ou se o cão está calmo e tranquilo. Consequentemente as respostas desejadas acontecerão mais vezes no futuro. Se o cão está pedindo atenção ficando em pé em sua frente ou está sentado calmamente, peça a ele para responder a um pedido e então lhe dê atenção. O objetivo não é ignorar o cão, mas sim ignorar os comportamentos de busca de atenção.

Uma dica: insira um tempo interativo estruturado no dia-a-dia

Todos os cachorros precisam de períodos de interação social, brincadeira, exercício e auto-cuidado. Se você não poder oferecer isso a ele, com certeza seu nível de ansiedade e estresse se elevará. Logo, previna problemas e dê qualidade de vida para você e seu pet! Incorpore um período dessas interações em sua rotina regular, de preferência sempre no mesmo horário ou período do dia, para que se torne uma parte previsível do dia do cão. Se o animal sabe que em breve ocorrerá um período de brincadeira, caminhada ou afagos ele poderá relaxar e ficar calmo nas outras partes do dia.

 

Como podem imaginar, existem muitas outras maneiras de adicionar controle, previsibilidade e consistência na vida dos nossos queridos animais. O que você faz para isso? Conta pra gente! Quem sabe não escrevo um próximo artigo sobre o que você comentou?!


Temos uma equipe pronta para te ajudar, nos conte mais sobre o seu pet 🐶🐱

Seu nome (obrigatório)

Seu e-mail (obrigatório)

Seu telefone

 Dog Walker (Passeio) Pet Sitter (Visita) Hospedagem familiar

Nos conte mais sobre seu peludo

Comente com Facebook
1 Comments
  • Fúlvia Andrade

    Responder

    Muito bom! Também deixo o dia-a-dia da Suzie estruturado através de rotinas diárias 😉
    Pela manhã e fim da tarde, são passeios e alimentação; cuidados diversos após se alimentar (dar remédio, escovar o pelo, escovar os dentes); antes de comer, antes e depois do passeio ela também faz algo que eu lhe peça; antes do passeio, sessões curtas de treino. No começo da noite, são as brincadeiras.
    Com tudo isso ela fica calma o dia inteiro. Mas, quando algo sai da rotina, ela fica estressada e isso reflete no aparelho digestivo. Vamos ver se a homeopatia resolve 😉
    Parabéns pelo site!!

Leave a Comment