Seu cachorro não para quieto? O objetivo de muitas técnicas de mudança comportamental é aumentar o repertório comportamental de seu animal. O que isso quer dizer?

 

dog walker ensina cachorro a vir quando chamado

 

Vejamos este exemplo (que, de maneira bastante simplificada, tenta fazer uma metáfora): Uma criança pequena vai ao mercado com os pais e quer muito um doce que está exposto. Existem diversas maneiras de conseguir este doce. Podemos dizer que existem maneiras mais aceitáveis, desejadas de conseguir este doce como, por exemplo, pedir aos pais: “vocês podem comprar este doce pra mim?”. E existem também maneiras menos aceitáveis, ou seja, indesejáveis de consegui-lo como, por exemplo, gritar, espernear; a famosa “birra”.

Se os pais ensinarem a criança, ou seja, mostrarem a ela que pedindo calmamente, ela consegue o doce, provavelmente nas próximas vezes que forem ao mercado ela irá pedir calmamente (sem entrar aqui em detalhes em relação a criança sempre pedir e conseguir, etc… entrariam aqui comportamentos sociais mais complexos, que não vêm ao caso, etc… Atemo-nos ao exemplo apenas como ilustração metafórica…). Porém, se a criança não sabe falar ou nunca aprendeu que há a possibilidade de pedir calmamente por um doce (ou nunca recebeu um doce quando pediu calmamente, que é outra situação possível, mas que não entrarei em detalhes aqui) ela provavelmente agirá de acordo com o repertório comportamental que ela conhece, que podem ser respostas parecidas com a famosa “birra”.

 Mas o meu cachorro não para quieto, o que eu faço?

Assim, ensinar um cachorro a sentar quando ele quiser sua atenção ao invés de latir, pular, chorar, é como ensinar uma criança a pedir um doce ao invés de gritar, chorar, espernear. Vê? Vou colocar ainda mais explícito este paralelo: ensinar um cachorro (a criança) a sentar (novo comportamento – pedir calmamente) quando quiser sua atenção (quando quiser o doce) ao invés de latir, pular, chorar (antigo comportamento “birra”).

Dog Walker Preço

Em alguns casos (não em todos!) é exatamente isso que ocorre com os cachorros. Eles não aprenderam outras maneiras de lidar com diversas situações (por exemplo: pedir atenção, de lidar com outros cães em casa ou na rua, de lidar com pessoas estranhas) e acabam reagindo de maneiras vistas como indesejadas pelos tutores (latindo muito, pedindo atenção, pulando, rosnando, mostrando os dentes, puxando a coleira, tentando pular nas pessoas ou em outros cachorros) simplesmente por não conhecerem outras maneiras de reagir naquela situação – por não as possuírem em seu repertório comportamental!

 

Como a criança que quer o doce, se o cachorro não para quieto, é porque ele não conhece as respostas corretas, ou seja, não tem respostas melhores em seu repertório comportamental, como sair do local, sentar para pedir atenção, olhar para o tutor quando vem vindo um cachorro desconhecido na rua, virar a cabeça para o outro lado, mostrar sinais de que ele não está confortável com aquela interação (os sinais de apaziguamento ou também chamados de “calming signals”) – não adianta brigarmos com ele, o punirmos!

 

Podemos ensinar novas respostas aos animais (de qualquer espécie) para que ele possa então usá-las no lugar das respostas indesejadas: muitas vezes nos referimos como “comportamento”, porém, o termo aqui correto, para a análise do comportamento, é “resposta”.

 

Aumentar o repertório comportamental do seu animal é fornecer a ele as ferramentas necessárias para que ele possa se comunicar com você e lidar melhor com o mundo! É melhorar a comunicação interespecífica!


 

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