Mito Nº 10. “Cães medrosos, agressivos ou muito tímidos devem ter sofrido abuso físico em algum momento de suas vidas.”

Este é um mito muito difundido, mas é um mito menos errado, dependendo de como compreendemos o que é um abuso.

Existem muitas razões para um cão ser agressivo, tímido ou medroso. Falta de socialização adequada, porém, talvez seja o principal motivo. Se o filhote não é exposto à diversas experiências sociais, graduais e positivas, especialmente entre a quarta e as primeiras 12 a 14 semanas de vida, existe a alta possibilidade deste filhote se tornar neofóbico, ou seja, que tem muito medo de novidades, para o resto de sua vida (veja o mito N. 1). A neofobia pode se manifestar como medo, e dependendo do contexto e do indivíduo, pode se apresentar como agressividade. Muitos casos de agressividade a pessoas estranhas e outros cães ocorrem devido à essa falta de socialização. E, além disso, um animal que teve uma socialização pobre provavelmente não aprendeu a “inibição de mordida” com sua mãe e irmãos, aumentando a probabilidade de suas mordidas levarem a injúrias mais graves.

Existem muitas categorias de agressividade, dependendo do autor, da escola, etc. Devemos, porém, lembrar que classificações são constructos, como rótulos, criados pelos humanos. Logo, são artificiais e bastante subjetivos. Ou seja, cada um os descreve de uma forma diferente. Gostamos, portanto, de analisar cada situação de agressividade em seu contexto, independentemente da classificação teórica. Identificando os estímulos ambientais que antecedem as respostas agressivas do animal (os chamados gatilhos), a resposta do animal (comumente chamado de comportamento), e as consequências dessa resposta (o que é alterado no ambiente após a resposta, ou seja: o que o tutor faz, o que o animal alcança, etc). Devido a tudo isso, não entraremos em detalhes sobre as possíveis classificações da agressividade, encontradas em muitos livros. Mas aproveitamos o momento para abrir os olhos de todos: tomem muito, mas muito cuidado com autores de livros recentes que afirmam existir “agressividade por dominância”, já que este constructo “dominância”, como já indicamos diversas vezes nesta página, é um termo obsoleto e que traz graves consequências para o bem estar físico e mental do animal.

Lado a lado com a falta de socialização estão os abusos consequentes de um constructo denominado “dominância”. Como afirmamos no início do artigo, é possível sim que abusos sejam causa de agressividade, mas depende do que consideramos como abuso. Se tomarmos como abuso o uso de técnicas baseadas em dominância, que explicam todos os problemas comportamentais à falta de um líder e indicam que o tutor deve submeter o animal a si (utilizam basicamente 100% de punição positiva – a adição/inclusão de um estímulo aversivo ao ambiente – alpha roll, chutes, puxões na guia, rosnar para o animal, exposição forçada ou flooding, etc…), o uso de coleiras de choque, colares com picos, coleiras enforcadoras, dentre muitos outros… Então SIM, é extremamente possível e frequente que abusos sejam causa de agressividade. Sugerimos fortemente que leia o artigo de Herron, Shofer e Reisner, publicado em 2009 no Journal of Applied Animal Behavior, um dos trabalhos científicos que melhor investigou as consequências deste tipo de abuso.

Muitas vezes quando adotamos um cão adulto medroso, agressivo ou tímido, que não tinha uma família humana e morava nas ruas, pensamos que ele apresenta estes comportamentos pois sofreu abusos. Geralmente, porém, tomamos como abuso apenas agressões físicas mais visualmente alarmantes, como pessoas batendo ou chutando o animal (não que um alpha roll ou “””chutinho”” não seja visualmente alarmante, mas geralmente estamos tão cegos pela mídia e pelo marketing que não percebemos quão absurdo essas “técnicas” são). Devemos lembrar, pois, que abusos gravíssimos ocorrem no dia-a-dia, mesmo dentro de nossas casas, e muitas vezes com profissionais teoricamente confiáveis e profissionais. Além disso, não socializar o animal durante as primeiras semanas de vida também pode ser considerado um abuso, e está por trás da maioria dos casos de animais adotados da rua que têm muito medo e se tornam agressivos. Muitos filhotes que nasceram na rua passaram suas primeiras semanas de vida “escondidos” do mundo, ação completamente compreensível efetuada pela mãe, na tentativa de protege-los de horrores causados por humanos.

Por fim, independente da causa do medo ou agressividade do cachorro, acredita-se que se houver amor, isso será suficiente para “resolver” o problema. Certamente o amor é um ingrediente vital para as mais bem sucedidas relações entre humano e cão, mas ajudar um cão medroso a se tornar confiante, ou um cão agressivo se tornar amigável, requer muito mais trabalho, estudo, cuidado, planejamento e atenção. Para cada caso é necessário delimitar um plano de exercícios (nesses casos, especialmente procedimentos denominados dessensibilização e contra-condicionamento), rotinas de socialização que gradualmente vão ajudando o cão a aprender a lidar com as situações que causam estresse e que o cão não sabe lidar muito bem, além de compreender detalhadamente a motivação, os estímulos antecedentes, respostas e consequências de cada situação. Consulte um profissional comportamentalista, educador de cães ou veterinário, que utilize técnicas modernas baseadas na ciência do comportamento, e que não explicam comportamentos através de termos como dominância e liderança. Estamos crescendo em número no Brasil, e se precisar de indicações destes profissionais sérios e modernos, ficarei feliz eu ajuda-lo!

Você sabe o que um animal precisa para ter uma vida boa? Leia nosso artigo:http://goo.gl/OCHE93

Imagem: http://goo.gl/UlMlOZ

Post escrito pela equipe Dra. Carolina Rocha. Você conhece nossa equipe? Veja nohttp://carolinarocha.com.br/quemsomos.html

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