Mudança, reforma e cachorros: pet sitter ou hospedagem domiciliar?

 

Respondendo a dúvida do casal Robson e Luciana Silvestre:

Boa tarde, tudo bem? Temos um cachorro e um gato: um é o John e o outro é o Lennon. O John é um Yorkshire de 14 anos, e o Lennon é vira lata mesmo (eu encontrei na rua há uns 3 anos e trouxe para casa, ficou desde lá na família, achamos que tem uns 4/5 anos). Eles se dão super bem, são amigos; muito carinhosos um com o outro e com a gente. Acontece que estamos planejando uma reforma bem grande no nosso apartamento: nós mesmos provavelmente vamos ter que sair por uns 15 dias. Vamos quebrar o piso e uma parede… Não sabemos o que é melhor para eles! Não é bom deixar eles em casa nessa situação, né? Mas o que devemos fazer? O John não se dá bem com outros cães, fica latindo sempre. E tenho medo do pó e sujeira incomodar eles… Pode me ajudar?
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Nossa, é muito gostoso conhecer tutores que lembram dos pets na hora da reforma ou de mudança! É importante a preocupação com o bem-estar dos gatos e cachorros nesse momento. Por serem pequenos, terem bastante pelo, e por não poderem escolher sair ou ficar, eles estão mais suscetíveis à problemas de saúde e de comportamento.
Os problemas respiratórios são os mais comuns porque a quantidade de poeira, causadora de alergias, é sempre alta. O principal sintoma é a tosse. Durante a obra, a fase de demolição ou lixamento de paredes é a pior, mas alguns animais doentes, idosos ou mais sensíveis, podem ter problemas mesmo quando a obra é na casa de um vizinho, por exemplo.

As doenças de pele podem ocorrer também por causa da poeira: o animal apresenta coceira forte em todo corpo, e por vezes pode necessitar de cuidados mais intensos porque ao se coçar o animal machuca e pele, que pode infeccionar!  Intoxicações com solventes de tinta também são comuns, e causam intoxicações graves se inalados ou se entram em contato prolongado com a pele. Além disso podem acontecer queimaduras graves com ácidos, muitas vezes usados para remoção de cimentos ou rejunte nos pisos, que é comum no final das obras pra arrumar a bagunça.

Durante as obras, também, é comum vários materiais ficarem espalhados pelo chão: fios de nylon, lascas de madeira, fio elétrico, etc. O animal pode ingerir esse materiais e isso pode levar à complicações intestinais. Machucados com pregos, pontas de ferro e cacos de vidro também são comuns.
Andaimes e escadas também são associados à quedas e fugas, especialmente aos gatos, que gostam muito de lugares altos e podem escalar. Os andaimes não possuem proteção lateral e, muitas vezes, não estão bem presos, trazendo alto risco.
Além dos danos físicos, o trauma comportamental deve ser levado em consideração. No dia a dia notamos que a presença de estranhos na casa pode até ser diversão para alguns animais, mas para a grande parte dos gatos e para muitos cães é um tormento! Tanto que é comum a lambedura compulsiva da pelagem: o animal começa a se lamber sem parar, podendo ou não arrancar os pelos do corpo. O gato que apresenta a chamada dermatite psicogênica costuma apresentar falhas na pelagem, especialmente no dorso, laterais do corpo e barriga.

Para gatos o estresse é ainda maior: são animais semi-sociais, quase todos não gostam de pessoas estranhas em casa, ainda mais quando o barulho da reforma vem junto com essas pessoas. Os gatos perdem o apetite e passam a maior parte do dia escondidos dentro de um armário ou gaveta. O nível de estresse é altíssimo para esses animais e os tutores devem ficar atentos a esses comportamentos pois podem levar a problemas urinários e renais, mesmo algumas semanas após o término da reforma, pois a manifestação pode ser tardia.

Prevenindo o estresse para gatos e cães durante mudanças

Apesar da gravidade, existem diversas maneiras de minimizar os problemas com os animais durante as reformas.
Você pode decidir se mantém ou não o gato na mesma casa durante essa fase. Caso escolha por retirá-lo é recomendado que ele fique na casa de alguém que já conhece e que tenha muita experiência com gatos, e evitar os hotéis mistos (que mantém cães e vários outros gatos). Isso faz parte do meu dia a dia mesmo, porque a Pet Anjo, a comunidade de pet lovers profissionais que eu organizo, que tem os chamados Anjos de pets, já salvou várias famílias no desespero das reformas!
Se não for possível retirar o gato de casa, separe um cômodo que não está sendo reformado para locar o gato durante o período de reforma. O cômodo não precisa ser grande, pode até mesmo ser um banheiro, mas deve ser totalmente fechado ou com telas nas janelas, para evitar fugas nos momentos de medo. Verifique a quantidade de pó no local todos os dias e providencie limpeza diária para evitar episódios de asma ou coceira. Deixe no mesmo local uma caminha e/ou toca, caixa sanitária, arranhador e vasilhas com água e comida. Se você possui muitos gatos, cuidado com as brigas, pois o estresse pode desencadear desentendimentos entre os mais ariscos.

Na hora de escolher as tintas prefira aquelas à base de água, pois são facilmente removidas da pelagem. Caso o gato se suje em alguma parede recém pintada nunca aplique solvente nos animais e em caso de contato da pele do animal com tinta à base de óleo, solvente ou qualquer produto supostamente tóxico, leva-lo imediatamente ao veterinário para tratamento e remoção adequada dos produtos da pelagem. Da mesma maneira deve proceder se o gato apresentar tosse ou coceira durante os dias de obra. Não é recomendado medicar o animal sem a prescrição de um veterinário.

Se o gato apresentar vômitos e/ou dificuldade de engolir os alimentos a atenção deve ser redobrada, pois ele pode ter engolido um objeto oriundo da reforma. Nesse caso também deve ser levado ao veterinário e comunicar sobre a obra que está sendo realizada em casa.



Resumo:

Os riscos:
– Os problemas respiratórios são os mais comuns porque a quantidade de poeira, causadora de alergias, é sempre alta. a – As doenças de pele podem ocorrer também por causa da poeira: coceira intensa por todo corpo
– Intoxicações por contato com produtos utilizados da reforma também são comuns.
– O animal pode ingerir materiais espalhados pela casa e isso pode levar à complicações intestinais.
– Machucados com pregos, pontas de ferro e cacos de vidro também.
– Andaimes e escadas também são associados à quedas e fugas, especialmente aos gatos, que gostam muito de lugares altos e podem escalar
– No dia a dia notamos que a presença de estranhos na casa pode até ser diversão para alguns animais, mas para a grande parte dos gatos e para muitos cães é um tormento! Ou seja: traz muito estresse e sofrimento para o animal.
– Para gatos o estresse é ainda maior: são animais semi-sociais, quase todos não gostam de pessoas estranhas em casa, ainda mais quando o barulho da reforma vem junto com essas pessoas.
Prevenção:
– Apesar da gravidade, existem diversas maneiras de minimizar os problemas com os animais durante as reformas.
– Você pode decidir se mantém ou não o gato na mesma casa durante essa fase. Vou comentar da comunidade Pet Anjo que organizo, ok?
– Se não for possível retirar o gato de casa, separe um cômodo que não está sendo reformado para locar o gato durante o período de reforma.

Observações:

– Na hora de escolher as tintas prefira aquelas à base de água, pois são facilmente removidas da pelagem.
– Da mesma maneira deve proceder se  apresentar tosse ou coceira durante os dias de obra.
– Se o gato apresentar vômitos e/ou dificuldade de engolir os alimentos a atenção deve ser redobrada, pois ele pode ter engolido um objeto oriundo da reforma.
– E aproveita a reforma pra montar uma casa super pet friendly, com várias prateleiras, caminhas… o cantinho do pet!

 

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