A verdade sobre dominância

Cachorros não estão em um busca por dominação mundial. Eles não são lobos socializados que estão constantemente lutando para serem  “cão top” sobre nós, e eles não são inclinados a tentarem e controlarem toda situação.

Ao contrário das tradicionais ideologias de treinamento e maioria das mídias modernas quer que você acredite, a maioria dos problemas do comportamento canino provêm da insegurança e/ou o desejo de procurar e manter segurança e conforto – não de um desejo de estabelecer um rank superior e ser o “alpha” sobre você.

Por essa razão, ensinar cães “quem” é o chefe ao forçá-los em algum estado mítico chamado de “submissão calma” é precisamente o oposto do que eles realmente precisam para efetivamente aprenderem e superarem problemas comportamentais.

Muito desse equívoco tem como origem a aplicação errônea de estudos antigos de matilhas de lobos em cativeiro para o entendimento da dinâmica de nosso cães domésticos. Há dois problemas em extrapolar esses lobos em cães:

  1. Cães e lobos são espécies diferentes.
  2. Os resultados desses estudos foram desaprovados por muitos cientistas por causa da maneira de como foram conduzidoscao dominante

Apesar disso, os termos como “cão alpha”, “cão top” e “líder da matilha” se tornaram parte da nossa sociedade facilmente e comumente entendidos como léxicos. Interessante que, quando usado para descrever conceitos humanos de liderança e hierarquia de rank, estes termos podem ser úteis e usados sem problemas. Mas problemas começam a surgir quando nós atribuímos esses conceitos a nossos cães domésticos, assumindo incorretamente que os cães possuem o mesmo valor que nós temos na prática de identificar quem é de rank superior em qualquer situação.

Resistir à urgência de atribuir nossas inseguranças humanas em como nós acreditamos que os cães pensam e sentem é um pré-requisito para sermos capazes de entender e construir relações verdadeiramente saudáveis e balanceadas com nossos cachorros.

A história da dominância (na ciência)

Nosso entendimento da dominância evoluiu desde a metade do século passado como a ciência do comportamento moderno continuou seus estudos de inter-relações dentro do mundo animal.

Para o bem da claridade é  importante entender como a “dominação” mundial se tornou prevalente em descrever os relacionamentos sociais cão/cão e humano/cão.

O termo “ordem da bicada” (“pecking order”) foi originalmente aplicado para explicar a hierarquias sociais das aves domésticas na década de 1920 por cientistas que observaram que galinhas comumente estabeleceram o que eles assumiram ser níveis de rank social através de bicadas ou ameaçando bicadas umas as outras.

Desde então, mais estudos avançados em hierarquias sociais foram conduzidos em várias outras espécies, com pesquisadores descobrindo que apesar de membros dominantes de certos grupos animais tinham mais chances que os outros de mostrarem ameaças ou comportamentos agressivos, eles na maioria das vezes afirmavam suas influências (dominância) sem o uso de força. Outros membros do grupo apaziguavam seus companheiros ao oferecerem atitudes de respeito (submissão) aos membros mais dominantes.


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Em outras palavras, relacionamentos de dominação entre os animais são usualmente exercidos sem o uso de força ou ameaça de agressão, assim reduzindo o potencial de conflito.

Importante que, alguns desses estudos foram conduzidos em grupos de lobos em cativeiro, com as descobertas (depois desaprovados) incorretamente aplicadas para os comportamento dos cães domésticos.

Submissão nunca é forçada

Esse é uma componente crítica para entender verdadeiramente como os cães interagem: Se um cão particular é dominante sobre o outro, tal status é usualmente sabido e mutualmente entendido – maioria dos quais em problemas.

Porque dominância é usualmente acertado pelo estado, o cão ao permitir que o outro seja dominante é livremente oferecer sua submissão – não é ser fisicamente forçado no cão. Esta submissão livre revela um instinto principal entre todos os cães para evitar conflitos em um esforço para assegurar segurança e sobrevivência.

Cão-Alpha: Desentendimento

Teoristas tradicionais de treinamento levara pessoas a acreditarem que as hierarquias sociais entre famílias de múltiplos cães e famílias humano/cão são rígidas, com um “alpha” (cão ou humano) no topo da hierarquia e outros membros da família humana e canina se encaixando bem.

Embora hierarquias sociais existam entre os cães, com algum cães sendo mais controladores que outros, estudo mostraram que tal dinâmica não é fixa: ao contrário, elas estão constantemente mudando.

cachorro superior

Cães que vivam em casas com vários cães, por exemplo, são usualmente possíveis trabalharem entre eles que possui acesso primário ao quê, dependendo do valor para cada cão os lugares e recursos. Por exemplo, certos cães podem colocar mais valor na comida quando é tempo de alimentação, enquanto outros podem dar maior prioridade a um local de dormir preferido. Um cão pode não necessariamente (e usualmente não pode) controlar o acesso de todas as coisas, mas controlará somente as coisas que possuem mais valor para ele. Para manter a segurança e paz do ambiente, um cão deve ser capaz de aceitar os desejos dos outros pela prioridade de acesso de outros recursos. Brigas ocorrem entre cães eles colocam valor em uma mesma coisa e o desejo de prioridade de acesso aumenta a competição e consequentemente o confronto.

Apesar de que desentendimentos possam ocorrer entre cães que formaram entre si relacionamentos saudáveis, há alguns cães que mostram atitudes sociais inapropriadas, perturbando o status quo ao praticar bullying com outros. Mesmo que este bullying possa parecer pesado, esses cães são usualmente o oposto de confiança e seguros.

Líder ou bullie?

Aqueles que se confundem a dominância regularmente confundem que os cães agressivos ou controladores são os líderes  do bando ou “alpha”. Mas a verdade é que na maioria dos casos, esses cães são simplesmente agindo como bullies comuns.

Quando você pensa em termos humanos, o bullie da escola é a criança mais confiante da turma ou a mais insegura? Invariavelmente, bullies não são pessoas confiantes, e suas necessidades de controle dos outros por meio da violência física ou psicológica são mais conduzidas por inseguranças do que um senso de confiança. Bullies caninos também são inseguros, embora seja verdade que eles algumas vezes influenciem o comportamento de outros cães que estejam dispostos preservarem suas energias para a proteção dos recursos que se importam, tal influência ainda não resulta numa batalha por rank. É crítico que para entender aquele macho, atitudes de bullying  não possuem espaço no relacionamento natural e funcional canino ou humano/canino.

Erro de diagnóstico do problema, prescrição do tratamento errado

A maioria dos donos de cães há muito tempo é levada a acreditar que tratar a dominância é a chave para resolver a maioria dos problemas comportamentais dos cães, quando na realidade é bem diferente.

Pense o treinamento canino em termos médicos. Como qualquer médico dirá a você, se você não saber qual a raiz do problema, você não pode efetivamente tratar o problema. O diagnóstico e o processo de tratamento podem se tornar confusos quando há muita ênfase colocada os sintomas e não na investigação das principais causas do problema.

Obviamente que se você diagnosticar errado a doença, você também aplicará o tratamento errado ao paciente. No melhor cenário, o pior que você fez foi adiar a recuperação do paciente. Idealmente, você logo perceberá que o tratamento usado não esta fazendo efeito, ter humildade que errou e aplicar o remédio certo. No pior caso cenário no entanto, um tratamento inapropriado baseado num erro poderia piorar o estado do paciente, ficando mais difícil de curá-lo.

Cao domina area

Infelizmente aos cães, um erro de diagnóstico de seus problemas de comportamento relacionados a dominância usualmente provocam o pior cenário possível. A técnica prescrita para consertar os problemas de comportamento dos cães para prevenir a dominância deles sobre seus donos incluem punições, intimidações e medo – precisamente o oposto do que os cães realmente precisam para superarem os seus problemas de comportamento.

Ser “dominante” no mundo animal significa que a força ou a violência é raramente usada para manter o status quo, então por que alguns treinadores e donos de cães ainda acreditam que o uso de técnicas de medo para estabelecerem-se como “alpha” é o jeito correto de treinar cães? Esta aplicação falha é onde o perigo fica para a nossa confusão sobre o que a palavra realmente  significa.

Pessoas permitiram que os seus conceitos humanos de dominância (baseado no acumulo de poder, estabelecendo rank superior e controle de poder em maneiras violentas) não só atrapalham suas interpretações sobre os relacionamentos caninos e hierarquias sociais como também ditam como elas devem treinar seus cães.

A ciência nos mostrou que o uso da força para submissão não é representativa a todos os animais, incluindo cães, estabelecendo relacionamentos funcionais saudáveis entre eles e nós.

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