Como prevenir ansiedade de separação de cachorro e trabalhar os primeiros sinais

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Vamos ensinar algumas medidas para prevenir ansiedade de separação de cachorro, que é um problema comportamental cada vez mais comum nas grandes cidades. Antes precisamos que você entenda o que é exatamente a ansiedade de separação, então recomendamos que leia esse artigo que escrevemos explicando o que é a ansiedade de separação de cachorro.

 

As dicas abaixo fazem parte de um método que está ajudando a prevenir ansiedade de separação em cães. Se você puder incluir esses hábitos em sua rotina e de seu cachorro desde pequeno, com certeza trarão benefícios para seu amigão!

 

E se começou a perceber pequenos sinais, como vocalização excessiva (latir sem parar, uivar, ganir), destruição de objetos ou bagunça (vira o lixo, destrói móveis, joga plantas no chão…) e/ou eliminação inadequada (urinar e defecar em locais inadequados) quando o animal está sozinho em casa, também temos dicas para você na segunda metade do artigo!

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A) PREVENÇÃO DA SÍNDROME DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO DE CACHORRO NO MOMENTO DA INCLUSÃO DE NOVO ANIMAL NO LAR

 

1. Desapego antes de ir para a nova casa

Caso tenha acesso ao cachorro ainda recém nascido, assegure que o processo de desapego da mãe ocorra antes da introdução em seu lar. Ou seja, que os criadores ou a ONG que está cuidando dos filhotinhos já comece a fazer exercícios de independência do filhote, como mante-lo períodos curtos separado da mãe e dos irmãos, manusear o filhote com cuidado, ter brinquedos e muitos estímulos para o filhote. Garanta também que o filhote não seja desmamado precocemente (antes dos 3 meses de vida). É muito importante que ele fique no mínimo 60 dias junto da ninhada, mas o ideal é 90 dias.

2. Não puna!

MUITO IMPORTANTE! Não puna o cachorro de nenhuma maneira e em nenhuma situação. Punir não ensina ao animal o comportamento correto, pode reforçar o comportamento indesejado e reforça a ansiedade. Se o cachorro fizer algo indesejado, como xixi fora do lugar, pular nas visitas, latir muito, puxar a guia, não brigue, dê puxões, etc. Leia mais sobre as técnicas de reforço positivo e aprenda a reforçar os comportamentos que você quer ver mais frequentemente, a ajudar seu animal a acertar, ou seja a apresentar esses comportamentos mais frequentemente!

3. Reforce a independência!

Acostume, gradualmente, o cachorro a ficar certo tempo sozinho no lar. Iniciar o processo com saídas graduais, começando com períodos curtos de 1 a 5 minutos e depois aumentando gradualmente a duração. Após ter ultrapassado os 5 minutos, este aumento não deve ser linear, porém variando entre períodos maiores e menores. Este processo deve ser lento e deverá ocorrer diariamente após a inclusão do cachorro no novo lar. Realize também o mesmo procedimento, porém realizando, logo antes de sair, os mesmos comportamentos que costuma ter quando sai de casa (coloque sapato de salto alto, pegue a bolsa, a chave do carro, carteira…).

4. Se ele ficou calmo, reforce esse comportamento!

Ao retornar ao local aonde o cão está, se o cão se comportou corretamente, você deverá acariciá-lo (não precisa exagerar nas carícias, apenas um afago para reforçar o comportamento correto). Se o cão não se comportou corretamente no período em que ficou sozinho, simplesmente ignore-o, evitando o reforço do comportamento. Lembre-se: nunca o puna!

5. Encene! Dê várias pistas de irá sair, mas não saia.

Dê pistas de saída (simule comportamentos normais de saída como pegar as chaves, se arrumar na frente do espelho, se despeça das pessoas…) em horas não relacionadas com a saída habitual, ignorando as respostas indesejadas do cão, caso ocorram.

6. Cada hora é a vez de uma pessoa diferente treinar!

Todo mundo da casa precisa treinar essas saídas! Então realize as trocas de “turnos” entre os tutores gradualmente. Uma hora é o filho que irá fazer esses passos, no dia seguinte será a mãe, e assim por diante…

7. Desenvolva o relacionamento saudável!

Crie uma rotina de passeios e brincadeiras pelo menos de 2 a 3 vezes por dia, preferencialmente com pessoas diferentes da família e até de fora da família!

8. Enriquecimento ambiental sempre!

Enriqueça o ambiente do lar com diferentes brinquedos, jogos, brinquedos mastigáveis e etc. Se possível, reveze diferentes brinquedos uma vez por mês, para que mensalmente o grupo de brinquedos mude. Aliás, escrevemos um manual gratuito só sobre enriquecimento ambiental para pets, faça o download aqui de graça!

9. Socialize MUITO e sempre!

Especialmente entre os 5 a 10 meses de idade propicie ao cão uma ampla gama de experiências, sociais e não-sociais. Junte os cachorros de seus amigos na casa dos seus amigos (desde que não haja um cachorro que faça bullying ou que tenha medo de outros cachorros), leve-o a parques, faça muitos passeios, contrate um dog walker qualificado, acostume-o gradual e lentamente com sons de sirenes, fogos de artifício, carros, crianças…

10. Se ele fizer festa quando você volta, ignore! É para o bem dele!

Ignore as respostas ativas do cão em relação ao seu retorno, como pular em você, te lamber, latir, girar… Pode ser difícil, mas lembre-se que é para prevenir piores problemas!

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11. Reforce SEMPRE os comportamentos calmos!

Elogie os comportamentos de calma e tranquilidade. Se você voltou para casa e ele te recebeu com calma, faça elogios, carinho, dê petiscos! Sempre com calma, sem exageros, mas não deixe de reforçar!

12. Ensine-o a não ter que ficar sempre apoiado em você!

Encoraje a “independência”, com o repouso sem contacto físico entre o cachorro e você. Ou seja, ensine que ele não precisa ficar sempre encostado em você quando você está no sofá. Organize um cantinho dele, com brinquedos, caminha gostosa, etc.

13. Aumente o repertório comportamental do cachorro. Melhore a comunicação!

Pratique diariamente, em momentos não associados com a saída de casa, exercícios que ensinem o cachorro a deitar-se e permanecer no local enquanto o tutor se afasta. O treinamento de obediência básico – com o senta, fica, vem – é recomendável pois pode ajudar a evitar e controlar o animal através de pedidos simples e pode auxiliar nos momentos de saída e entrada no lar.

14. Fique atento, especialmente nas mudanças de rotina.

Atenção aos comportamentos exibidos pelo cachorro, especialmente nos períodos próximos às mudanças no lar. Por exemplo: falecimento de familiar ou animal do lar, mudança de domicílio, divórcio, etc ou mudanças na rotina (mudança de emprego, mudança de escolar, etc). É comum animais que nunca apresentaram sinais em suas vidas, começarem a apresentar após mudanças.

15. Se trouxer um novo membro para a família, atenção extra!

Se ocorrer a introdução de um novo animal, faça-a gradualmente para que isso não gere ansiedade para o cão.

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B) MANEJO BÁSICO PARA OS PRIMEIROS SINAIS DA SÍNDROME DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO DE CACHORRO

Os primeiros sinais podem ser: vocalização excessiva, destruição de objetos ou bagunça e eliminação inadequada (urinar e defecar em locais inadequados) quando estão sozinhos em casa.

1. Não limpe a bagunça na frente dele.

Se o cão fizer alguma bagunça, destruir objetos, roer, fizer suas eliminações em local inadequado, nunca limpe as eliminações, restos ou destroços na presença do cão, pois isto pode reforçar a conduta de destruição ou eliminação inadequada.

2. Antes da saída dos moradores da casa:

(a) Ignore o cachorro 30 minutos antes da saída,

(b) Elimine todos os rituais de saída, não afague, “converse”, dê petiscos ou brinquedos para tranquilizá-lo na hora da saída,

(c) saia do local tranquilamente, sem se exaltar,

(d) deixe muitos brinquedos à disposição do animal.

3. No regresso ao lar:

(a) não puna o animal retrospectivamente (pelo que ele fez errado enquanto estava sozinho),

(b) ignore o animal até ele ficar calmo.

4. Fique atento aos sinais

Preste atenção para outros possíveis sinais, como:

– agitação,

– alterações fisiológicas (ex. vômito, diarréia, aumento de salivação, tremores e taquicardia);

– auto-mutilação (ex. lamber excessivamente algum membro ou parte do corpo ou o morder compulsivo da cauda),

– comportamento repetitivo (ex. circling, pacing),

– sinais de depressão (isolamento social, letargia, inapetência, posturas de medo) e

– agressividade.

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5. Se o cachorro for idoso, cuidado extra.

Caso o animal tenha idade avançada e esteja apresentando algum dos sintomas já citados, preste atenção se não existem problemas médicos subjacentes que podem reduzir a adaptabilidade emocional (capacidade de lidar com emoções, cansaço, tolerância…) e a capacidade cognitiva.

6. Lembre-se dele quando houver mudanças!

Caso ocorra alguma mudança no ambiente domiciliar ou com os moradores, sejam humanos ou animais, tomar atenção redobrada.

7. Busque por um profissional de confiança!

É muito importante buscar por ajuda profissional. E esteja muito atento ao profissional que atenderá seu amigão. Se ele usar termos como “dominante”, “submisso”, “alfa”… Fuja dele! Estes são termos obsoletos, que a ciência do comportamento animal já há alguns anos sabe que não fazem sentido. Também esteja atento ao uso de punições (a adição de estímulos ao ambiente que sejam aversivos ao animal). Você poderá buscar por médicos veterinários que atuam apenas na área do comportamento (como eu) ou por educadores/adestradores de cachorros que estejam por dentro das técnicas mais modernas de reforço positivo (adicionar estímulos ao ambiente que sejam prazerosos ao animal, como petiscos, brincadeiras, elogios, carinhos). É possível que seu amigo precise tomar medicamentos específicos caso o quadro esteja muito grave. Mas estes só devem ser prescritos por um médico veterinário que tenha conhecimentos na área, não busque por um clínico geral para isso.


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